Eu preciso. Na verdade, nem sei do que preciso. Preciso me
encontrar? Preciso me reencontrar? Preciso me inventar? Não sei o que preciso,
mas, preciso.
Eu não sei se eu realmente já fui feliz ou se eu fingia uma
felicidade. A armadura que eu vestia de repente se rompeu e eu não reconheço
mais o que estava debaixo dela.
Não sei mais do que eu gosto. Não sei mais de quem eu gosto.
E também não sei quem gosta realmente dessa eu que restou.
Não tenho cor, prato, estilo... prediletos.
Não tenho mais direitos. Não chore! As lágrimas, quase
sempre embargadas me transformam em um mar salgado, como o Mar Morto, onde
tanto sal não deixa que nenhuma vida permaneça. E sim, pereça.
Disfarço-me quase sempre de palhaça, pra divertir uma
plateia que não consegue ver além da máscara, querem só a minha casca. Eu não
tenho nem o direito de ser triste, de ser quieta, de ficar calada, de não
sorrir, de não achar graça.
Eu não tenho direito a uma identidade e muito menos de ter
uma personalidade. Quero ser eu de verdade. Mas como? Se eu nem sei o que sou?
Autonomia, nem sei mais o que é isso! Só ouço e cumpro o que
me é de incumbência.
Sonhos... sonhos... sonhos... não mais os tenho.
Perspectivas? Nenhuma.
Ainda ouço: -Você está assim porque quer! Você não tem o
direito de ficar triste! Cadê sua fé? Você não pode ser assim. Não pode pensar
desse jeito. Cadê aquela Viviane?
Calem –se! Se não tenho o direito de morrer. Me deem asas
para aprender a voar e aprender como é “ser” o que eu quiser “ser”.